davi de jesus do nascimento Pirapora, 1997
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Biografia
"Em seus trabalhos, não há uma distinção entre o corpo e o território; entre o saber manejar as embarcações e o saber viver o tempo coreografado pelas águas, pelos cardumes e outros seres que habitam as margens do rio. Esse contínuo está presente em diversas obras reunidas nesta exposição, tornando-se ainda mais evidente nos seus aguamentos, aquarelas nas quais bicho e gente se fundem em uma só criatura híbrida."
— Isabella Rjeille
davi de jesus do nascimento é um artista barranqueiro — como se autodenomina — nascido e criado às margens do Rio São Francisco, no norte de Minas Gerais. Sua prática se desenvolve a partir de uma escuta atenta ao território, à comunidade e às forças imateriais que atravessam sua experiência, tomando como matéria-prima elementos naturais, biográficos e simbólicos. Vindo de uma linhagem de lavadeiras, pescadores, marceneiros e barqueiros, davi mobiliza afetos ancestrais e imagens do cotidiano para construir uma obra que é, ao mesmo tempo, gesto íntimo e expressão coletiva. Seu trabalho transita entre desenhos, pinturas, objetos, fotografias, instalações, vídeos, performances e textos, articulando questões ecológicas, sociais e subjetivas em composições que evocam as memórias da água, os ciclos da terra e os rituais da passagem. Entre atmosferas densas e paisagens sentimentais, sua obra compõe um vocabulário visual próprio, marcado por uma paleta terrosa e jogos formais que tensionam permanência e dissolução, poesia e denúncia, espiritualidade e política.
Suas exposições individuais incluem: "mau da língua" (2023, Museu Paranaense, Curitiba – Brasil), "madeira doce, água áspera" (2023, Palácio das Artes, Belo Horizonte – Brasil), e "na boca da noite, os muruins" (2023, Instituto Carê, São Paulo – Brasil). Participou de mostras coletivas, como: "Onde há fumaça: arte e emergência climática" (2024, Museu do Ipiranga, São Paulo – Brasil), "Vai, vai, Saudade" (2024, Museo Madre, Nápoles – Itália), "Imagens que não se conformam" (2023, Memorial Minas Gerais Vale, Belo Horizonte – Brasil), "Um século de agora" (2023, Itaú Cultural, São Paulo – Brasil), "Histórias Brasileiras" (2022, MASP, São Paulo – Brasil) e "37º Panorama da Arte Brasileira" (2022, Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM-SP, São Paulo – Brasil).
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Obras
davi de jesus do nascimento Pirapora, 1997
fogo selvagem, da série exorcismo de dor [fogo selvagem, from the series exorcismo de dor], 2026Escorpião fixado à fotografia instantânea (Instax)
[Scorpion affixed to instant photograph (Instax)]23 x 20 cm
[9 x 7 7/8 in]Um corpo que é metade humano, metade escorpião, surubim, calango ou coruja. Em Exorcismo de dor, vemos repetidas vezes Davi de costas, revelando partes de seu corpo à medida que...Um corpo que é metade humano, metade escorpião, surubim, calango ou coruja. Em Exorcismo de dor, vemos repetidas vezes Davi de costas, revelando partes de seu corpo à medida que se metamorfoseia em bicho. A belíssima série de Polaroids, iniciada em 2018 e ainda em contínuo desenvolvimento, constitui um apontamento sobre o corpo quando suas bordas se extrapolam, quando os parâmetros da normatividade social já não se sustentam. Ao encontrar, corriqueiramente, pelo chão de Pirapora, carcaças e fragmentos de bichos já em avançado processo de mumificação natural — favorecido pelo clima seco da região, que rapidamente desidrata os tecidos e preserva as características externas dos organismos —, Davi experimenta outras versões de si ao costurar ou “acostumar” novos corpos ao seu.
Beatriz Lemos. Catálogo Mau da Língua. MuPA, Curitiba/Paraná, 2023.
Exposições-
davi de jesus de nascimento: carcaça
Texto: Ventura Profana 28 Março - 16 Maio 2026Para compreender a beleza do que as águas sublinham aqui é necessário acordar os caracóis que fazem morada nos ouvidos. soltar o corpo em escorrego, babar, sentir a febre que...Leia mais -
Maa
Coletiva | Curadoria Luly Lage e Marcel Diogo 17 Março - 18 Abril 2023DescriptionLeia mais
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Corpocontinente
Coletiva | Curadoria Fabíola Rodigues 6 Novembro - 18 Dezembro 2021Ainda estamos aqui, num lugar chamado travessia. O presente encontro é o desdobramento de uma pesquisa acerca das origens e do mito fundador de uma nação afropindorâmica¹ brasileira e de...Leia mais
