Sandro Ayê Salvador, 1990
“O 'Samba Escultural' é um desejo antigo que Exu plantou em meu Ori, para que eu pudesse resgatar e fortalecer o encantamento pelo entalhe e pelo samba de roda, que são culturas ancestrais”
— Sandro Ayê
O trabalho de Sandro Ayê se organiza em torno de uma tensão territorial: o Pelourinho, centro histórico de Salvador, é ao mesmo tempo berço de sua produção e arquivo material dela. É de casarões coloniais em processo de demolição que o artista retira a matéria-prima de suas esculturas, revertendo a lógica de descarte que normalmente segue à destruição desses edifícios. A escolha do material é também um posicionamento: ao esculpir orixás e entidades a partir de vigas e portas que sustentaram a arquitetura da cidade colonial, Ayê inscreve a cosmologia afro-brasileira dentro da própria estrutura que historicamente tenta excluí-la. Nas palavras da curadora Jamile Coelho, o artista ˜evidencia a herança do legado de Mestre Didi, Agnaldo dos Santos e de tantos outros, através de seu trabalho, mas não como eco — e sim como desdobramento vivo e ativo˜.
Aos 26 anos, retomou uma prática de entalhe que já lhe era familiar desde a infância, descrevendo o momento como um chamado espiritual, e passou a desenvolver, por conta própria, um método de talha direta, sem desenho prévio: a figura é extraída progressivamente do bloco, e as marcas de uso já presentes na madeira (fissuras, encaixes, vestígios de tinta) são preservadas e incorporadas à anatomia da peça, tornando-se dobra, textura, articulação. Sua produção inclui tanto figuras isoladas de orixás, com atenção detalhada aos instrumentos e adornos que cada divindade carrega, quanto projetos que cruzam escultura e performance.
Suas exposições individuais incluem: "Padê Onã" (2026, Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira – MUNCAB, Salvador – Brasil). Participou de mostras coletivas, como: "Raízes: Começo, Meio e Começo" (2024, MUNCAB, Salvador – Brasil), com versão internacional na Temporada do Brasil na França (2025, Marselha – França); "Festival Culturas Negras" (2025, Sesc Casa Verde, São Paulo – Brasil); "AFROART – Feira de Arte Negra e Indígena" (2025, Brasil); "Circuito Afro Carioca" (2024, Rio de Janeiro – Brasil); e "CASACOR Bahia" (2022, Salvador – Brasil). Tem obras em acervos permanentes do MUNCAB (Salvador – Brasil), da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (Pelourinho, Salvador – Brasil), que recebeu uma escultura monumental de Xangô doada pelo artista, e do Museu Afro Amazônico Josefa Pereira Laú, com peças dedicadas a Ogum e Iansã.
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Caminhos, 2025 -
Exu, 2025 -
Aridji, 2026 -
Odara, 2026 -
Segredo XVI, da série Segredo [Secret XVI, from the series Segredo], 2026 -
Segredo XVII, da série Segredo [Secret XVII, from the series Segredo], 2026 -
Segredo XX, da série Segredo [Secret XX, from the series Segredo], 2026 -
Segredo I, da série Segredo {Secret I, from the series Segredo], 2026 -
Segredo XV, da série Segredo [Secret XV, from the series Segredo], 2026 -
Segredo XVIII, da série Segredo [Secret XVIII, from the series Segredo], 2026