Maa: Coletiva | Curadoria Luly Lage e Marcel Diogo
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Alice Ricci, davi de jesus do nascimento, Domingos Nunes, Dyana Santos, Éder Oliveira, Froiid, Gisele Camargo, Guilherme Santos da Silva, Hariel Revignet, Heitor dos Prazeres, Isa do Rosário, Jess Vieira, Joacélio Batista, Manfredo de Souzaneto, Marcone Moreira, Marcos Siqueira, Maria Lira Marques, Massuelen Cristina, Paulo Nazareth, Priscila Rezende, Randolpho Lamonier, Sebastião Januário, Sidney Amaral, Tadáskia, Wallace Pato, Yanaki Herrera
“A tradição ensina, com efeito, que há primeiro maa: pessoa receptáculo, e maaya: diversos aspectos de maa contidos na maa receptáculo. A expressão de língua bambara ‘maa ka maaya ka ca a yere kono’ significa: ‘As pessoas da pessoa são múltiplas na pessoa’.” (Amadou Hampaté Bâ)
Os povos Fula e os Bambara possuem termos próprios para designar a pessoa, sendo um deles “maa et maaya”. A palavra maa representa a pessoa, o “receptáculo visível e palpável que serve de invólucro e suporte a outros aspectos, mais sutis, da pessoa humana”, um ser simples e múltiplo que comporta elementos físicos, psíquicos e espirituais; e maaya, por sua vez, são “as pessoas da pessoa”.
A partir dos ensinamentos do mestre Amadou Hampaté Bâ sobre a cultura maliana, nos interessa pensar a Mitre Galeria como esse receptáculo, ou seja, uma espécie de maa, um "organismo vivo", capaz de reverberar e estabelecer trocas simples e múltiplas para além de suas estruturas físicas. Segundo o pesquisador, a vida das pessoas pode ser dividida em 18 períodos de 7 anos, 9 ascendentes e 9 descendentes. A Galeria, antes sob o nome “Periscópio”, acaba de completar o seu primeiro de seus septênios e, diante dessa fase, nos cabe perguntar: quais são as características dessa "entidade"? Quais são "as pessoas da pessoa" Galeria? O que reverbera a partir desses sete anos de existência?
Acreditamos que a Galeria, enquanto pessoa, existe, vive e pulsa para além do seu espaço físico. Quando se apresenta em feiras de artes, palestras ou publicações, a Mitre reverbera sua persona, repleta de ideias, fazeres e ideais. Nesse sentido, a maaya dessa maa são pessoas, artistas, colecionadores, visitantes e colaboradores; e também espaços, tempos e até obras que ali são expostas, como organismos vivos e em constante movimento.Sobre as partes do corpo, a cultura do Mali nos conta que "A cabeça representa o nível superior do ser. Este nível é perfurado por sete grandes aberturas. Cada uma delas corresponde a uma entrada de sete estados de ser, ou mundos. A testa, as sobrancelhas, os olhos, as orelhas, o nariz, a boca e o queixo exprimem, cada um à sua maneira, os sete seres que estão dentro de cada maa. Cada ser corresponde a um mundo que gira em torno de um eixo ou ponto central.”Assim, baseados na cultura maliana, concebemos essa proposta expositiva intitulada maa - abertura dos trabalhos da Mitre Galeria em 2023 - com uma reunião de artistas e seus universos, agrupados por suas capacidades expressivas e multipotencialidade, interlocuções que mixam os sentidos do rosto, experiências para criar algo que nos "encha os olhos", dê "água na boca", que "soe bem", algo que nos permita ser livres para que cada parte do nosso universo particular sinta a liberdade, ou algo ainda maior, de captar a sensação que lhe cai bem. Afinal, parafraseando Clarice, liberdade é pouco, o que DESEJAMOS ainda não tem nome.___REFERÊNCIAS
AMADOU, Hampaté Bâ. A noção de pessoa na África Negra. Tradução para uso didático de: HAMPÂTÉ BÂ, Amadou. La notion de personne en Afrique Noire. In: DIETERLEN, Germaine (ed.). La notion de personne en Afrique Noire. Paris: CNRS, 1981, p. 181 – 192, por Luiza Silva Porto Ramos e Kelvlin Ferreira Medeiros.
LISPECTOR, Clarice, Perto do Coração Selvagem, Rio de Janeiro, Editora Rocco, 1992.
MONTERO, Teresa (org.). LISPECTOR, Clarice. Correspondências. Rio de Janeiro: Rocco, 2002. [Trecho de carta escrita a Tania Kaufmann, em 6 de janeiro de 1948.] -
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