Ritos de água, fios de fé: Coletiva | Texto: Lorraine Mendes
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Aline Motta, davi de jesus do nascimento, Marcos Siqueira, Luana Vitra, Rafael RG, Wallace Pato
A cidade de São Paulo é lugar de rios, ainda que estes estejam sob a camada de progresso que a faz ser como é. Por mais que nem sempre ao alcance dos nossos olhos, esses rios existem. A água, veículo de vida e saber, sempre encontra um caminho.
E são muitos os caminhos que fazem com que pessoas de todo o país cheguem nessa cidade que tem solo de concreto, hostil, mas fértil e cheio de promessas.
Nós, que não nascemos aqui, chegamos por estradas e águas, movidos por razões muito distintas. Mas, em comum àqueles que migram, existe a fé. Para nós é necessário apostar e confiar em algo que nos impulsiona à busca. Acreditar em oportunidades e portas que se abrem, em novos caminhos a serem descobertos e pavimentados. Há também uma boa dose de fé nesse chão e no que ele pode oferecer.
Chegamos também cientes do que temos a plantar, enraizar, regar e fazer florescer nesse lugar, tão múltiplo lugar. E com o desejo de fazer dele morada.
Aline Motta, davi de jesus do nascimento, Marcos Siqueira, Luana Vitra, Rafael RG e Wallace Pato chegam juntos nessa exposição inaugural de um novo espaço da Mitre. Diferentes em trajetórias, linguagens, investigações e poéticas, os seis artistas carregam nos pés a poeira de seus lugares de origem. E, por tratarem tanto de sua herança e experiência vivida ou fabulada, conseguem abrir caminhos em todos os lugares do mundo onde seus trabalhos chegam. Há um fio de vida e verdade que os une, e a chegança em um mundo inteiro que é São Paulo torna essa cidade imensa tão familiar como a própria casa.
Que sejamos todos bem-vindos aqui.