Benedikt Wiertz Bonn, 1955

  • Biografia

    “Com cerca de quatro décadas de trabalho com a cerâmica, interessado sobretudo no tempo encarnado em sua materialidade e em seu aspecto mais processual, o alemão radicado no Brasil Benedikt Wiertz apresenta uma série de grande formato produzida a partir de materiais do próprio terreno de seu ateliê: terra, madeira, pedaços de cupinzeiros e plantas da Serra da Moeda, em
    Minas Gerais. Da argila selvagem ao esmalte e outros materiais de acabamento, tudo é feito sem processamento industrial, de maneira que o artista soma ao seu estilo característico traços mais brutos, que tornam visível o manejo radical do material.”

     

    Benedikt Wiertz desenvolve uma prática centrada na cerâmica como linguagem artística e vetor de encontros. Suas obras emergem da tensão entre matéria e forma, tradição e invenção, funcionalidade e expressão. Vasos, totens e objetos escultóricos ganham corpo por meio da brutalidade da matéria e de gestos sutis, revelando texturas, imperfeições e assimetrias que evocam a terra e o fogo, o toque e o tempo. Com profundo interesse pelas técnicas orientais de queima e esmaltação — especialmente os fornos Anagama e os esmaltes Shino, Tenmoku e Celadon —, sua produção se alimenta de saberes milenares que valorizam o acaso, o fluxo e a imperfeição como traços de presença. Em suas queimas, que podem durar até 70 horas, as cinzas fundidas pela lenha geram matizes únicas, ampliando a dimensão orgânica e espiritual do trabalho. Nos últimos anos, ao lado da artista Joseane Jorge, fundou o atelier Xakra, na Serra da Moeda (MG), onde conduz pesquisas com materiais da região, ativa residências artísticas e cultiva vínculos com a comunidade local. Nesse contexto, a cerâmica se afirma também como campo expandido de troca e criação coletiva — um território poroso em que práticas individuais e partilhas sensíveis se entrelaçam.

     

    Sua exposições individuais incluem: "Cru e Transitório" (2025, Galeria GTO, SESC Palladium, Belo Horizonte – Brasil), "Cerâmica" (1998, Palácio das Artes – Fundação Clóvis Salgado, Belo Horizonte – Brasil) e "Intenções e Movimentos" (1997, Centro Cultural UFMG, Belo Horizonte – Brasil).

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